Sutil diferença entre talharim e fettuccine

Fresh Pasta

Rodrigo Leitão

Existe diferença entre talharim e fettuccine? Tecnicamente, existe. A diferença está na largura da massa. O macarrão achatado, cortado em tiras finas, surgiu na Sicília, sul da Itália, com nome de talharim. Fosse mais grosso ou mais fino, era talharim. Os tagghiarine (talharins) eram tiras compridas de massa. A largura dessas tiras variava entre meio e um centímetro, dependendo de quem cortava.

O nome fettuccine é muito mais recente. Surgiu no século 13, no norte da Itália, quando já existia uma indústria de massas naquele país e as máquinas de cortar o macarrão tiravam fios mais largos. A palavra fettuccine quer dizer ” fitinhas”, em italiano.

Atualmente, as massas cortadas em tiras ou fios são medidas pela espessura e largura. Os nomes variam. Assim, o macarrão em tiras bem fininhas se chama Cabelo de Anjo, depois vem o Espaguete (que é redondo), o Talharim (que é o achatado até um centímetro), o Fettuccine (mais largo, mas pouca coisa), o Tagliatelle (pouca diferença para os outros dois) e o Pappardelle, que é aquele macarrão achatado grosso. Mas a diferença entre o talharim mais largo e o fettuccine é mínima. Sutil até.

O macarrão surgiu 2.500 anos antes de Cristo, na China. Antes dessa descoberta, em 2005, pensava-se que era uma invenção árabe. Oficialmente, foi Marco Polo, em 1295, quem levou o macarrão (macaroni) para a Itália. Mas existem registros de massa feita com trigo e água, ensinada pelos egipcios aos italianos, no século 9. Contudo, de uma forma ou de outra, foram os italianos que divulgaram essa pasta e se tornaram os donos do macarrão.

No Brasil, ele chegou exatamente com os imigrantes italianos, no final do século 19. E nenhum prato estrangeiro alcançou tanta popularidade por aqui quanto o macarrão. Primeiro, porque é fácil de fazer, depois porque é econômico (se bem que a gente chega a ver um prato de macarrão por até R$ 50 nos restaurantes). Outra razão dessa popularidade é que se trata de um prato que pode ser acompanhado por qualquer molho. O macarrão é considerado um prato completo, leva carboidrato, água, ovo, trigo e os molhos são feitos à base de legumes, verduras e carnes.

Estatística sobre o macarrão, de 2006, aponta o Brasil como o quarto país consumidor no mundo. Cada brasileiro come cerca de 6 quilos de macarrão por ano. O primeiro colocado é a Itália, que consome 28 quilos de massa, por pessoa, anualmente. Depois vem a Venezuela (12 kg/habitante) e os Estados Unidos (9 kg/habitante).

São mais de 500 variedades de tipos e formatos de macarrão produzidos no mundo. Economicamente, esse é o prato mais rentável para a indústria de alimentos no Brasil. Nó somos o terceiro maior produtor de macarrão. A média anual é de 1 milhão e 100 mil toneladas. O faturamento dessa indústria por aqui, em 2006, foi de R$ 4,5 bilhões.

cardetoDICA DE HARMONIZAÇÃO:

Para acompanhar uma boa massa, o melhor são os vinhos italianos, feitos praticamente para isso. São vinhos médios e populares. Não vale a pena gastar comprando um chianti, por exemplo, para acompanhar macarrão. Não é que as massas não mereçam, mas não é necessário. Há ótimos vinhos italianos e portugueses na faixa de R$ 30 a R$ 45 e que vão muito bem com uma bela pasta ao molho sugo ou bolonhesa. Um Cardeto – Villa Cardeto Sangiovese 2013 (foto), comprado na Decanter, custa por volta de R$ 60 e é ótimo para esse tipo de molho. Para  acompanhar macarrão com molho de frutos do mar é mais apropriado vinho branco, de preferência chardonnay. Em Portugal, uma massa com vieiras pede um vinho verde ou branco da uva alvarinho. Mas o chardonnay é um coringa para pescados.

 

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